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Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

Sonhos

                Talvez o sonho principal, da minha vida, desde sempre, seja o da procura do conhecimento e do saber, o que me leva a tentar escrever, para compreender, compreender a minha vida, antes de tudo, dado o grau de desordem (psíquico-mental/social) que se instalou nela a partir de certo momento. Sei que compreendo a minha vida cada vez mais, ou o tempo não passasse e esta mente não deixasse de trabalhar, constantemente, apesar de não conseguir dizer e explicar o que sinto como deve de ser, não direi nada de jeito, muitas vezes. Também, por causa deste mesmo ‘tempo’, quando compreendo as coisas já é tarde de mais, cada vez mais ‘tarde de mais’. Fui ferido e esventrado no meu orgulho, na minha dignidade e nas minhas ambições, não atingi a liberdade da independência de mim como ser (humano) físico e mental. Mas, tenho imensos sonhos, mais ainda do que muita gente possa imaginar, tanto projeto de sonho que nunca cumprirei, cada vez tenho mais a certeza disso, e, o certo, é que não consigo viver dos sonhos (Até pode haver quem consiga, mas eu como a maioria não consegue). Continuo, eu, como uma criança, a sonhar e a não conseguir entrar na realidade do dinheiro e/ou do saber fazer algo para o conseguir. Com os sonhos perco eu meu tempo, e também com esta escrita, aqui, afogando mágoas que ficarão algures na internet, sem nenhum significado, quem sabe (?), sem que eu consiga ouvir (algum dia) seu eco, que apenas se dá em mim mesmo, dentro da minha cabeça, enquanto eu existir. Deste modo, aperfeiçoei-me na arte de chorar o meu pranto, que nem uma carpideira, repetindo regularmente as queixas, soluçando sem fim, neste desgostoso ato que ainda não me levou a uma saída, nem talvez leve, por inerência de um destino que se aproxima a alta velocidade. Que seria de mim se não fosse a internet? Que será de mim se eu, um dia, não puder ter internet? A solidão alastra: tanto meio de falar e chegar às pessoas e eu não consigo falar com ninguém (simplesmente não consigo dialogar), como se um cancro tomasse cada vez mais conta de mim. Mas, prefiro que estes gritos estejam no nirvana da internet, do que ofuscados e abafados no vazio de umas folhas soltas, dobradas e amarrotadas pelo tempo, algures, no vazio de uma casa, relatando a loucura (considerem este ‘louco’ na maneira de ver dos outros, porque eu não me acho louco, sinceramente, mas sim, sofredor por causas alheias e que não me deveriam pertencer) de um ser que não quiseram que vivesse, que não pôde viver em liberdade e harmonia com o mundo. Quis eu, desde sempre, ser importante; sei, agora, que ser importante não é só ‘poder’ e/ou ‘dinheiro’, mas é amar e ser amado, (se bem que passa em grande parte por ai, e eu nem isso tenho, poder e dinheiro, poder e dinheiro…com que tanto sonho); Estou muito afastado desse real significado da vida (daquela normalidade com que sentia a vida), com que tanto sonhei e acreditei (mas acho que não devo dizer ‘em vão’, porque nada é em vão, apesar de não percebermos os significados e consequências das nossas ações, em ultima análise, da nossa existência); E, que significa esse ‘Real significado da vida’? Perguntam-me. Penso que passe por: o amor, uma relação saudável entre pais e filho (s), entre amados, entre amigos [de uma maneira geral, entre as pessoas que nos envolvem e nós]. Falo em ‘real significado’, porque não me é permitido defini-lo, não tive essa honra, a de ser um ser humano realizado para poder executar a obra da definição de tal significado, o real significado. A liberdade faz parte desse real significado. A minha vida é de solidão intrínseca, de crise existencial, e eu alheio-me deste mundo, quando ela quer tomar conta de mim: refugio-me nos meus prazeres da vida, a música por exemplo, o recordar quem fui, os sonhos que tive, o que senti ao degustar pela primeira vez tal sabor de tal comida, tal momento, entro no mundo dos sonhos das recordações, num mundo mental de sensações de todo o tipo (visuais, auditivas, táteis, olfativas, mentais, sentimentais etc.) e misturo tudo, eu comparo tudo, eu analiso tudo, eu tento encontrar respostas eu tenho imenso prazer quando encontro as causas dos efeitos que se deram, na minha vida em particular - Mas pudesse remediar eu essas causas… - As minhas sensações são visuais, predominantemente. Se bem que por momentos, não sinto essa solidão e algo ou alguém vem ao meu encontro para me dar um certo ânimo, uma lufada de ar fresco para continuar. Para um homem da minha idade, que tinha a pretensão do amor, era para ser feliz, e isso passa por estar em sintonia com o sexo oposto [mais um sonho]. Mas não, a minha vida é de tristeza por ter sido castrado psicologicamente faz tanto tempo, por me terem sido anuladas as minhas ambições, por ter sido ludibriado por adultos que me prenderam as minhas emoções, que jogaram com os meus sentimentos, enfim, pela minha origem, que talhou os meus caminhos. Se me for permitido, eu abomino as culturas de opressão. Eu vi o que é a liberdade, eu vi o que é a destruição, eu vi que ninguém é nada para parar o que quer que seja. Eu nasci em desvantagem, mas luto por ir mais além, sempre lutei, e para isso, conto com alguém, eu não sou ninguém estando sozinho (se bem que esta solitude tende a prolongar-se no tempo), não sou ninguém sem um espelho que fale comigo e me diga o que está a mudar em mim, o que sou a cada momento, eu procuro meu espelho, persigo os meus sonhos.

Estamos metidos nas malhas da economia, o dinheiro faz rodar este mundo, e eu sinto que não sou capaz de entrar neste mundo económico, sinto-me um inútil, que não sabe fazer nada. Nem ao escrever tenho sucesso, porque sou uma pessoa ordinária, no sentido de vil, maltratado e subententido, que nada mais faz, ao escrever, que pôr o dedo nas próprias feridas, gritando, sem que algo ou alguém me possa ajudar. Mas as feridas têm que sarar. A esperança é a última a morrer, os sonhos só acabam com a morte, a luta com a qual se firma a vida.

Consciência global

  

            Tenho por quase totalmente certo que tenho uma ‘consciência global’ e penso que posso dizer que sempre tive um ‘sentir global’ (que me levou à tal consciência), e mais, parece-me que preencho cada vez mais essa globalidade com factos que chegam até mim de todos os quadrantes além do aumento de experiências pessoais que tenho vivenciado e de todas as inferições que faço com esses dados que obtenho de algum modo. Com isto tudo, todo o saber e conhecimento que tenho, estou seriamente tentado a seguir em busca de um ‘santo graal’ que me permita perceber a lei do espaço-tempo, em mim, das variações que se irão suceder no mundo, de que modo e em que comprimento de tempo se vão dar [sem saber se o irei conseguir alcançar e se ele existe, mas tenho fé]. Gostaria de utilizar esse saber, se o achar, em primeiro lugar para eu melhor poder vivenciar a minha vida, de seguida quereria dizer que o queria utilizar para o bem do mundo, mas, já há tanta gente a tentar ‘fazer um mundo melhor’, e, apesar de tudo, a visão global do mundo que tenho é que ele não está melhor; para mim é claro que o mundo social viveu na ilusão que estaria melhor, em anos passados, devido ao petróleo que era abundante e a bom preço. Tenho para mim neste momento que se todo o conhecimento produzido não for bem aproveitado pelas mentes futuras, se o Universo assim o quiser, para produzir revoluções tecnológicas para o bem-estar de todos os homens, se o ‘bem’ que é imenso não conseguir ofuscar o ‘mal’ que é muito inferior, então julgo que se entrará num período de enorme sofrimento, que, no fundo, sempre existiu de algum modo em algum lugar, mas em menor quantidade. Vejo que toda a gente ‘fala’, toda a gente dá ideias para melhorar, mas aquelas que vingam e que são as corretas são ínfimas; eu mesmo me vejo nessa situação, tenho consciência disso, tanto neste momento em que escrevo, em que analiso e proponho, como na minha vida no geral, em que consigo sentir os rumos do espaço e do tempo e nada me parece poder fazer para os levar a bom porto. Penso que não serei o único à procura desse santo graal e desse entendimento das variações que se irão dar no mundo e no Universo, pelo contrário, penso que muita gente anda à procura disso, grandes instituições que avançam com dados sobre situações que hão-de suceder, projecções, bruxaria, mentes particulares que perscrutam em privado e muito mais. Decerto, provavelmente serei dos últimos a ter sentido em mim esse passar do tempo segundo as variáveis que se sucedem, quando por vezes queria acreditar que fui o primeiro. Sinto que as minhas preocupações natas acerca deste mundo e do Universo [toda a destruição a que o mundo está a ser sujeito, muito resumidamente - quer fisicamente (o mundo físico) quer socialmente, ou seja, moralmente e mentalmente] foram largamente difundidas e amplamente projeccionadas. Foram receios que eu entre outros (talvez muitos) sentimos e que marcam uma geração (a minha geração), e que expandem um sentimento vivo, vindo, talvez, de uma alma remota e inidentificável, de angústia pela possível perda de algo profundamente belo e irrecuperável se tal suceder: a perda do equilíbrio natural do mundo, a poluição desenfreada assim como o uso dos recursos naturais sem medida; a destruição do conhecimento verdadeiro, o facto de não vencer a força da sabedoria em cada individuo, a queda da moral quando não assistida pelo verdadeiro sentido do mundo social quotidiano, ‘o conhecimento com sabedoria’ – O mundo social está a esquecer completamente a base em que ele está sustentado! Que é a terra, a ‘mãe terra’, para usar uma expressão totalmente enraizada e globalizada-.

            Pergunto-me o que me levou(a) a ter mais em consideração o estado global do mundo, uma maior preocupação pelo estado do mundo, em detrimento da minha própria condição humana (?), e o porquê de isso acontecer (?). Porque ponho (pus) eu à frente de tudo, como prioridade, o geral antes do particular, o bem-estar geral à frente do bem-estar particular (?). Mas olho para a minha vida e tudo o que consigo sentir nela e dela, e vejo que tudo me trouxe a este momento de grande extravasamento mental. Consigo entender coisas tão globais e aparentemente complicadas e não consigo entender o comum dos mortais, não consigo entender porque eles não entendem. No fim disto tudo, sou eu quem sai a perder e sem valor neste mundo de aparência. Gosto da tecnologia, gostava de viver altamente tecnológico se isso fosse sustentável, mas eu não serei feliz se viver de uma outra maneira? Porque eu, e muitos outros, não podem ser felizes?

Mais um injustiçado

            Mais um dia quase passado, que, se fosse noutra hora de um outro tempo atrás e de uma outra maneira, poderia dizer que ‘com a esperança renovada’. Assim, agora direi que simplesmente ‘se está a passar’ e o peso dos dias que passam tendem a sobrecarregar meu ser físico e psíquico. O meu intelecto tende regredir de capacidade, a minha mente anda confusa, o meu psíquico anda desnorteado, com uma fome de verdade e de justiça e por não conseguir mudar o mundo, ao menos o meu mundo… mas nem isso. Não me sinto livre e algo (que poderia chamar Deus com convicção, se fosse noutra altura mais antiga) brinca com o meu ser a seu bel-prazer; a minha dignidade de homem está severamente manchada porque, precisamente, me magoaram indelevelmente, não sou um homem livre, não sou um homem mentalmente capaz de ter um bem- estar intelectual, porque meu espirito foi perturbado desde que me formei enquanto humano, muito possivelmente, além de onde a minha memória não pode chegar; à medida que o tempo passa, descubro o porquê de a minha vida ser perturbada, e desde precocemente isso acontece. A minha tristeza é enorme, e não deve ter fim, porque eu procuro o fim dela há já tanto tempo e não o encontro. Sinto uma revolta enorme com os meus progenitores, sinto uma revolta enorme por algo que eu não consigo identificar precisamente e poder lutar contra essas coisas que me perturbaram e perturbam, não sendo capaz de ultrapassar as dificuldades (porque não as consigo identificar claramente), um desejo que há tanto tempo cresce em mim (o de ultrapassar tudo isto); e à medida que cresce mais esse desejo mais me vejo incapaz de o realizar. Desejei a independência e a vingança – no sentido de fazer-se justiça na minha vida – daquilo, daquelas atitudes - que injustamente era alvo, pensei que cresceria e que depois então alguma luz se havia de fazer, me havia de livrar de tudo aquilo que acorrentava a minha humanidade, mas, não sabia eu, que, pelo contrário, o caminho que trilharia para essa independência era errado e que me levou a não ter saído deste mesmo sitio de sempre – falo precisamente de um momento da minha infância em que me apercebi que estava perante algo injusto, perante atitudes diárias de injustiça, pressão psicológica sobre uma inocente criança, assim como nesse dia em que me apercebi da injustiça de meu pai perante mim: sendo eu uma criança e ele tratar-me com tal dureza e crueldade, injusta, repito. Nunca me esqueci desse dia em que fugi à procura de um aconchego, em lágrimas de uma criança que tinha o mundo à sua frente, e o perdeu naquele momento, quiçá [oxalá esteja errado], para sempre, em que tudo passou a ser uma ilusão, porque só na ilusão eu poderia sobreviver com um mínimo de lucidez e normalidade aparente, tendo eu passado a fingir que vivia normalmente, quando eu entrei, na verdade, numa vida em que deixaria de ser eu, para entrar numa espécie de vida etérea, e não compreensível por ninguém que se tem cruzado pela minha vida, sem correspondência real com a vida normal dos outros, daquela no qual faz parte o senso-comum; foi nesse preciso momento que eu enxerguei pela primeira vez a injustiça e tive o sabor amargo da maldade psicológica pura e dura, de quem amava (ainda por cima, e que faz parte de muita gente por esse mundo afora) e que tive de perdoar durante toda a minha evolução para me tornar adulto, um adulto com handicaps aparentemente desvantajosos, para sobreviver, em última análise. Mas quem sou eu para estar acima de todas as outras criaturas que sofrem neste mundo? Sou só um e apenas um, mais um, do qual a injustiça e a inglória se querem apoderar. Por isso sou insignificante, por mais que isso me custe, e a minha vida depende do valor que eu lhe conseguir dar, por um lado, mas de enormes forças desconhecidas, por outro, (forças essas que partem de mim também e que se geram de uma forma muito estranha) além de que eu não consigo dar-lhe o valor mínimo necessário para que eu possa viver com clarividência mental e independência. A essência de quem eu sou foi como que sugada e açambarcada por algo que eu ainda tento desvendar, meu progenitor é um grande culpado disso, e eu não consigo lutar de modo a demarcar-me e ganhar o que ele me tirou, a forças de vida, a essência de quem eu sou. Mas este mundo é feito destas pessoas, más, não só ele mas como ele, com a força que a vida lhes imprimiu e que podem fazer tudo e andar por cima dos outros sem que venha o ‘Deus’ a safar quem é pisado, e a derrubar a maldade que se impõe injustamente.

Destino

      Tenho que prosseguir. Não sei bem como o fazer, mas tenho que aguentar todo o peso daquilo a que chamaria o meu destino, definindo, com esse termo, tudo aquilo que todo um ser, físico e mental leva a que aconteça e interaja como o mundo de determinada maneira, a maneira de cada individuo que é abrangido pelas coisas que se dão na vida dele – esse destino não existe, ele vai-se construindo e tentando solidificar esse ser se ele ceder à força com que a natureza o tenta conduzir, segundo a maneira como é física e psiquicamente -. Todo o meu ser, corpo e mente me trouxe até este momento. Sei que sou um ser estranho [ninguém mo pode negar], e toda a gente me olha dessa maneira, [além de tudo o mais de estranho que se passa comigo no meu dia a dia, sobretudo social] quando eu deixo de poder fingir que sou uma pessoa normal, porque, sei-o, sou uma pessoa que tem ‘handicaps’ [desvantagens, obstáculos] que são intrínsecos a mim, acrescidos de outras causas externas que reforçaram esses ‘handicaps’ internos. Sei bem quem sou, qual os meus limites, e sei o quanto a minha inteligência, além do cuidado pessoal que tenho tido, tem trabalhado e evoluído para sobreviver, neste meu mundo, de confusão [loucura imposta, frustração, cansaço, infortúnio, vida madrasta – dentro dos seus limites -], além da sorte que tenho tido, como é óbvio, de não estar pior, com o mérito de procurar essa sorte e tolerar os azares (e minorá-los), quando acontecem, ou muitas vezes suportar - enquanto puder suportá-los, (como tenho suportado) - o que não consigo resolver e reagir da melhor maneira (a injustiça que me atinge indelevelmente). Por vezes sinto-me rolando no fundo, sozinho, e vejo o caminho que tenho pela frente para percorrer como escabroso e, precisamente, solitário. Assim, consigo ver com uma visão divinal, o mundo que gira à minha volta, e como ele gira. Sei que o modo como sinto e como penso influência o mundo e sei como ele me influência, a mim. Mas, o pior disto tudo é não poder suportar a maneira como influencio e sou influenciado, porque estou dessincronizado com os seres humanos, e mais porque ver como vejo é um peso enorme para mim. Vivo, por isso, e isso ao mesmo tempo faz-me viver, nos extremos, na bebedeira do constante sono da minha vida, uma consciência infinita presa num corpo cada vez mais perene. E isto é um viver em cansaço constante, por mais que não queira dizer e acreditar nisso. Mas eu ainda tenho fé que posso mudar… para melhor.

Temores da minha vida

     Temo que a minha saúde esteja a piorar. Sinto uma falta de energia que tende a progredir. Sinto-me a paralisar, como se houvesse um veneno que estivesse a fazer esse efeito em mim, um veneno para o qual não encontro antídoto. Sinto um forte sentimento de injustiça para comigo deste mundo. Devia ter uma vida muito moderada para que pudesse viver mais tempo, mas tal não me é permitido, o mundo à volta obriga-me a mexer, a ser uma pessoa normal quando, na verdade, não sou, obriga-me a ter uma prisão quando eu queria ser livre. Este sentimento de que vou colapsar a qualquer momento acompanha-me desde sempre [e o pior é que sinto isso como verdadeiro e encontro provas intrínsecas - na minha vida interior - de que isso é verdade], assim como o sentimento de que a vida me tem feito ser um idiota e castigando-me ainda mais com a possibilidade automática de constantemente visualizar e sentir o idiota que sou a cada dia que passa [mas sem a verdadeira culpa da minha acção, porque sou um bode - expiatório nesta vida] e o desejar ser outra pessoa que nunca mais consigo ser. Sei que esta escrita é um vazio. A escrita, no geral, é um vazio, eu acho isso, mas não consigo separar-me da leitura, já que não consigo ligar-me com o mundo social [Se bem que é verdade que certos tipos de conhecimento se aprendem melhor através da escrita]. A minha expressividade (oral) é reduzida, talvez porque não me habituei (e não me foi permitido) a comunicar, a verbalizar e a evocar o que vai no meu pensamento, além de que eu tenho dificuldades em situar-me quando o contexto que me envolve de pessoas é plural, e mais ainda: não sou capaz de acompanhar o assunto nessa interacção social. Eu cresci reprimido, com uma inteligência e uma maneira de ver o que se passa à minha volta de uma maneira muito especial, mas sempre calado, com temor pela autoridade e o respeito excessivo pelo outro mais do que pelos meus sentimentos e pelo meu valor. E, com tudo o que vi de injusto, prostrei-me perante a minha vida, perante o que sinto, rendido a uma luta desigual e com pouca capacidade de reacção, porque me foram anuladas as defesas, por alguém que não se redimiu do que era perante mim e me fez transformar, num futuro, que se tornou presente, um errante nesta vida social. Sinto que a vida goza comigo por intermédio das pessoas, de certas pessoas que se cruzam comigo. A vida tem gozado comigo toda a minha vida, vida essa que eu não esqueço. Tenho a certeza que eu sou mais uma pessoa que vai passar por este mundo em vão, depois de sentimentos tão genuínos e de gratidão, depois de ter visto uma verdade tão vívida no meu espírito, depois de eu ter a forte convicção de que havia justiça para quem agia na busca da verdade e da perfeição, numa vida de busca pelo equilíbrio, com o firme sentido de quem queria seguir o que era bem (na fé de que existe o que é bem e o que é mal, e de que se eu agisse na busca do bem eu seria feliz e teria toda a sorte do mundo). Mas entrei em contradição nos meus sentimentos a determinada altura da minha vida, já não sei quando, porque perdi os limites dela. A minha inexpressividade (social) torna-se crónica a cada dia que passa, e temo seriamente que, se em breve eu não conseguir contrariar este caminho de silêncio, eu prossiga para um abismo. Se alguém quer saber o que é terror psicológico sinta o que eu sinto, porque eu sei-o, assim como também sei que há inúmeras pessoas pior do que eu, mas que se calhar não têm a consciência e a lembrança presente do passado da gravidade da sua situação. Não tenho doenças fisiológicas até ao momento, muito menos algo de grave, fisiologicamente, e com esta escrita também exagero o que sinto, muitas vezes, porque exagerada é a dor psíquica que sinto. Nunca tive acidentes graves, e deveria estar feliz por tudo isso. Mas não estou, a dor psicológica existencial e a falta de conexão humana (psico-humana) destrói-me fortemente e não me deixa desfrutar a minha vida. Talvez o meu sistema nervoso esteja esgotado ou a caminhar para isso. Sinto-me a perder cada dia que passa por não poder sentir a normalidade de um ambiente mental saudável para viver em sintonia com os outros, indo, assim, ao encontro do vazio de mim próprio, frequentemente. Tenho medo de começar cada escrita que faço, como esta que agora estou a escrever, porque os meus temas acabam por puxar-me ainda mais para baixo, porque são tristes e/ou profundos e/ou confusos - e/ou pessoais, o que não interessa a ninguém -, fruto de uma hiper-auto-consciência que me esgota. Eu não sou genuíno porque sou exageradamente auto-consciente e não tenho o dom de me exprimir de acordo com as normas, e, isso, causa imensas confusões na minha vida, das quais eu tenho medo.

     Com tudo isto e muito mais, eu vivo em temor crónico, na esperança de que o vento volte a meu favor ainda, sopre forte, e de que haja algo, ainda, de tudo o que acreditei, que prevaleça e faça justiça por mim ou em mim.

Revolução silenciosa

    É muito boa a sensação de bem-estar, esta, depois de um repasto que assenta bem, seja ele do que for, frugal ou exótico, bem ou mal temperado, a esta hora, na acalmia do anoitecer. É muito boa esta sensação de plenitude, que ao mesmo tempo é acompanhada por um vazio mental, onde reina um nirvana, onde não há lugar para alegria ou tristeza, preocupação ou indiferença, onde há apenas o que é, o simples facto de estar aqui e existir, sentindo o eterno agradecimento de ter o meu ser, ser quem sou, mais nada do que isso. Chamaria a esta experiência e este estado uma experiência mística. Escrevo o que escrevo, preenchendo a minha vida interior, com o intuito de pôr na net umas palavras que possivelmente se perderão no tempo – mas com a esperança de que eu não tenha existido em vão -, num monólogo introvertido e eterno comigo mesmo, onde o senso comum não tem significado, onde existe apenas o meu ‘eu’, e a consciência de que esse ‘eu’ existe. Aqui há acalmia, neste estado de espírito que se apoderou de mim, hoje, neste momento, dure o tempo que durar. No entanto, sei que há uma revolta silenciosa que permanece em standby neste momento. Este momento em que a música ambiente me rodeia e me acolhe sem exaltações, ao contrário do que tem acontecido na maioria da vezes na minha vida. Até parece que estou apaixonado por mim mesmo, que quem me ‘visse’ o que eu sinto me acharia narcísico, mas não sou, e digo a frase feita: -se eu não gostar de mim quem vai gostar? - É obvio que em inúmeros momentos e situações só isso não basta para viver, gostamos, e, mais do que isso, sobretudo necessitamos, de ser apreciados, de que gostem de nós. Contudo, na minha vida, sei o quanto isso de ‘gostarem de nós’ é relativo, e, por isso, é importante que o amor-próprio prevaleça nesses momentos em que não somos apreciados e/ou em que os factores externos a nós não nos são favoráveis. Isto porque temos direito à vida e não podemos nem devemos abdicar dele, temos de lutar contra a incompreensão dos outros perante o nosso ser, lutar harmoniosamente para que os nossos ideais tenham seguimento. Muitos, ao ler isto, rir – se - hão do que digo, mas pouco me importa, não sei quem sois e estais entregues ao vosso destino como eu estou entregue ao meu. E esse simples facto, o vosso destino, já vos é suficiente para que essa risada escarniosa que fazeis vos traga o feedback futuro do que sentires sem respeito pelo que os outros sentem. Ao passares os olhos por uma das minhas palavras já estareis contaminados pela influência do que eu sou se é que já não estáveis, mesmo antes de vos encontrares com estas palavras. E não há que ter medo, e mesmo que se tenha, isso é normal. Não sou eu que mato com as minhas palavras, mas são os significados que elas têm para vós que influenciarão o vosso futuro, talvez o encontro com uma verdade que não querias assumir e que te acendeu uma luz na mente. Comigo passou-se tão vivamente isso, que ainda agora tremo, tal a intensidade de medo pelo desconhecido que senti. E a revolução silenciosa continua a dar-se.

   Não podemos obrigar as pessoas a gostarem de nós. Não podemos agradar a todos. Acho que se a verdade tivesse cara não seria bela, e por isso não gostariam dela. A verdade será a última instância de tudo o que existe. O mundo dos seres é um mundo fingido e artificial, uma realidade efémera dada por sentidos virtuais. Como última instância de tudo o que existe, a verdade é o suporte básico de tudo o que existe, talvez tenha sido o princípio e será o fim. A verdade é o vazio da existência ou a não existência. E nós estamos num momento intercalar – a existência - dessa não – existência. Talvez os seres fujam dela (a verdade) quando por vezes dizem procurá-la, porque não cabe na nossa mente que haja uma não existência, um vazio depois de termos vivido e termos um ser coerente, sermos algo funcional e especial, queremos acreditar que há continuidade nas coisas. A verdade dói, mas não quer dizer que não possamos viver sabendo que ela existe. E é verdade que quanto mais interpretamos mais vazia, contraditória e confusa se torna a existência, parece que compreendemos mais, mas nada sabemos que já não tenhamos sabido desde sempre, um saber nato que faz parte do nosso ser logo que nascemos. Toda a filosofia se encontra em estado latente ao nascer, o que se passa é que nos vamos redescobrindo à medida que o tempo passa. Aperfeiçoamos técnicas, descobrimos novas maneiras de explorar a terra, mas a filosofia, essa, já existia e continuará a existir, o conjunto de equações do pensamento que nos leva a um resultado simples. Termino hoje esta revolução silenciosa e mental que me envolve, na ideia que tenho sempre: que por mais que pense e abarque o mundo com o meu conhecimento jamais encontrarei a resposta para o que procuro, se bem que por vezes ache que estou no caminho certo. Não quero cair no vazio demasiado cedo, sabendo que ele existe, quando ainda há caminho pela frente.

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