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Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

Um rosto

Hoje vi um rosto. Esse rosto não era comum, como o de qualquer pessoa. Ele tinha algo de especial, algo que me transcendia, algo que me tocava e eu não compreendia. Esse rosto, dava-me confiança, mas, num momento imediatamente a seguir, algo de contraditório se passava e contrariava esse sentimento. Era como se eu estivesse a ver que, esse rosto, era confiável, e, no entanto, as emoções que despoletava em mim, diziam completamente o contrário. E eu não conseguia escolher qual expressão ele me transmitia. Era um rosto que dizia, mas ao mesmo tempo contradizia. Era um rosto de luta - e nem vou falar de rugas de expressão, ou de outras características físicas ou faciais -. Era um rosto que dizia a verdade, somente a verdade, mas, ao mesmo tempo, eu não queria acreditar nela, como se a mentira me possuísse. Era um rosto de luta, uma eterna luta, entre os sentimentos e a razão – e era tão transparente para mim esse facto! -. Era um rosto de força, mas simultaneamente desolado, aparentemente calmo e impenetrável, e, ao mesmo tempo, aberto à humanidade, com todos os sentimentos que vagueiam o ser humano a jorrar, desse rosto. Esse rosto parecia uma pedra, quando fixava o meu, mas o que transmitia era tão forte e inexplicável que me fazia vibrar o meu ser e disparatar a minha conversa, imaginar coisas sem nexo, como se me dissesse: ‘Descobre quem sou eu, se fores capaz’. Esse rosto não aparentava ter nada por trás dele, mas eu sentia que havia. E eu era impelido a sentir uma vontade de descobrir o que estava atrás daquela expressão, que se desmultiplicava em múltiplas expressões que por sua vez transmitiam algo profundo e que, realmente, eu nunca tinha sequer imaginado que fosse assim, um rosto, aquele rosto humano. E, é curioso, é que eu pensava que conhecia o rosto dos homens, até eu ser levado a pensar nisso. Aquele rosto fazia-me pensar. Mas, afinal, que transmitiria aquele rosto cuja face eu tão bem deveria conhecer de todos estes anos de experiência, de cognição e aprendizagem de expressões faciais? Naquele momento eu senti o quanto somos permeáveis, como que temos uma membrana em que a osmose de sentimentos se dá, e percebi que não podemos contrariar essa lei da natureza. Pudemos sustê-la, mas nunca contrariá-la e erradicá-la. Esse rosto fez-me perceber o quanto somos autómatos da natureza, e cada vez mais, à medida que o tempo passa, somos levados a reconhecer, racionalmente, cada gesto que fazemos, a perceber que quando pensamos que somos nós quem dominamos, afinal, estamos a ser dominados por outras forças que nos ultrapassam. E, ao olhar esse rosto, - que era o rosto que transmitia o exponente máximo da alegria, da esperança e de todos os conceitos positivos, e concomitantemente, era o rosto que transmitia o exponente máximo da desolação, da tristeza e de todos os conceitos negativos -, percebi que não havia rosto. Aquele rosto era um reflexo que produzia reflexos, como a luz ao passar por um prisma, tão simples ou tão complexo quanto isso, depende do que se sente ou do que a razão nos diz. Aquele rosto escondia um ser. Um ser que se procurava constantemente, no espaço onde se encontrava. Procurava seu nome – uma identidade pelo menos… -, a sua ligação com o mundo. E eu percebi isso, eu reconheci isso nesse rosto, como se até então eu nunca tivesse percebido um rosto. Aquele rosto transmitia uma imensa sabedoria, que, no entanto, era silenciada pelo seus gestos simples e ingénuos, como se tentasse encobrir aquilo que aquele ser era, a sua magnitude, a sua magnificência. E aquele rosto dizia tanto, transmitia uma energia e uma presença estranha, que não passava indiferente (mas que os outros tentavam ignorar – eu percebi isso). Sei que poucos o viram e sentiram como eu o vi e senti. A angústia de não ser compreendido revelava-se na sua manifestação. Toda aquela indiferença, calma e apatia, aparente, escondiam um vulcão prestes a rebentar. E eu percebi isso. No seu olhar trazia a fé, a esperança, de que o que em que acreditava fizesse sentido e lhe desse ânimo para prosseguir o caminho. Esperança de encontrar o seu espaço no mundo. Aquele rosto trazia muito mais: na profundeza daquele olhar que perscrutava o Universo exterior, havia um infinito Universo virtual, um mundo onde as almas existem, uma dimensão onde poucos querem entrar, talvez porque estão agarrados ao seu exterior, ao que o mundo lhes dá, e não querem conhecer a matéria dos sonhos de que eles próprios são feitos. Com o passar do tempo aquele rosto entranhava-se em mim, como se o meu ser se imiscuísse no ser que eu observava. Eu via, o que até então não tinha visto. Aquele rosto me explicava porque os pólos opostos se atraem, o porquê das interacções entre os seres, as suas atitudes. Aquele rosto dizia-me mais e mais à medida que o ia observando, quando ele me permitia. Ele me abria os sentidos para compreender tanto do que até então me transcendia. Ele me abria o espírito e me revelava que tudo o que era dado como certo e coerente, não o era como se aparentava, e me revelava o paradoxo, a antítese, a antinomia que reinava neste mundo humano e dos seres em geral. Esse rosto - com aquele olhar que dizia, também, que estava aprisionado -, implorava por compreensão da parte dos outros. Esse rosto tinha um olhar que compreendia. Eu percebi por esse rosto, que tentava comunicar, o turbilhão de sentimentos, ideias, emoções que lhe estavam subjacentes. Eu tentei ajudar, olhei fixamente esse olhar daquele rosto, mas ele fechou-se, revelando uma mágoa que não era explicável no meu entender, como se dissesse ‘não há nada que tu possas fazer por mim’.

            Esse rosto significa tudo que tu possas imaginar, ou seja, o que és. Tu próprio ‘fazes’ o rosto de quem vês. Esse rosto é o vocabulário que tu tens em ti. É um reflexo de ti. Certos homens vêem, simplesmente, enquanto esse rosto observa e analisa, mesmo sem olhar. Esse rosto significa a unidade do ser, que ao mesmo tempo partilha uma dimensão, pouco abordada por um ser comum, com outros seres. Esse rosto tende a ser a manifestação da pura inteligência dos homens. Tudo o que nós somos, somos num conjunto e porque existe o outro rosto, sozinhos nada fazia sentido nem teríamos chegado ao ponto onde chegámos, e, no entanto, somos únicos na subtileza do nosso espírito, a sua essência. Esse rosto, significa a perenidade do nosso ser, que quer acreditar que somos eternos na dimensão espiritual. Talvez mesmo esse rosto seja ‘eu’. E não interessa mais nada do que foi dito, até porque só o que é escondido e está em segredo gera fascínio e curiosidade. E a verdade desse rosto, é um eterno segredo, que gera medo, porque desconhecido. Mas se sabemos que o final é certo, de que temos medo afinal? De que tenho eu medo afinal? Da estupidez humana? Ou dos rostos que olham e dizem tudo no meu espírito como se eu tivesse a resposta imediata para aqueles olhares. Como saberei se esse rosto existe? Mas que eu o vi, isso vi, e nada me pode mudar essa visão, a não ser a memória que algum dia me há-de fugir. Esse rosto necessita de descanso para prosseguir o tempo que lhe resta. Lembra-te: ‘Um rosto’.

           

Sintonia

 

Há uma sintonia que não alcanço, e temo não poder alcançar. Há uma sintonia, uma sincronia, e há o contrário a dessicronia, a dessintonia, que ao extremo tende para o colapso. Parece tão fácil a sintonia, assim como o contrário pode ser o menos provável e o mais difícil de se sair depois de interiorizado, depois de se ter entrado nesse ritmo avassalador que é o dessincronismo. Tão fácil a sintonia, essa dança perfeita dos corpos em movimento, esse trocar de olhares perfeito, esse conjunto de melodias afinadas cantadas no momento certo com o som belo dos aparelhos, esse bater dos corações em uníssono, ganhando uma força que parece ninguém parar, essa equipa entrosada, que ninguém jamais ousará ganhar, essa orquestra afinada que produz uma música tão bela e tão complexa, esse organismo que está em equilíbrio e é funcional e que procura esse equilíbrio até não mais poder. Tão fácil essa sintonia, esse entendimento completo de um ser com outro, mas mais fascinante, entenderem-se os seres em conjunto, não só através de palavras mas de tantas outras coisas visíveis e invisíveis: os gestos, as expressões, o movimento dos seus corpos, a sua maneira de agir, o olhar – a naturalidade da gestão dos olhares – a sintonia do psíquico, a sintonia do Universo, o homem todo uno, conectado por uma ligação invisível. E a alegria é quem se difunde e propaga, esse eterno optimismo de que tudo será melhor. A tristeza, essa, que toma posse dos seres, nas suas expressões quando outro ou outros assim o demonstram é desvalorizada. Todos querem participar nas alegrias, mas as tristezas são pisadas como se o fim último da existência dos seres fosse o prazer. E todos fogem das a sete pés, como que se morrer afirmando por palavras ou um conjunto de situações ou maneira de agir que se está triste, que essa tristeza não quer largar o nosso ser, fosse uma atitude anti-sobrevivência, e logo os instintos lhes dizem aos outros, os alegres, que devem desviar-se desse buraco negro do Universo que os pode consumir. Então fugi de mim que estou triste: a luta pela sobrevivência, a lei do mais forte, o destino que se reescreve a cada momento que passa, a história só reza dos vencedores, dos vencidos rezará a História, silêncio! Que se vai cantar o fado, o fado é o destino, mas a mim ninguém me cala, mais calado do que o que estou não posso ficar, da galhofa não me hei-de livrar, mas gritai por quem não tem voz.
                Há uma emotividade que não consigo compartilhar, e temo não conseguir fazê-lo, jamais. Mas a esperança é a última a morrer, e tento contornar esta solidão que me açambarca.
                Sim, sou eu que estou off, desligado do mundo. (pergunto se tereis coragem de me fornecer um cabo para me ligar?) Sim, sou eu quem vai sair derrotado, como se a minha vida fosse uma luta, que me parece ser mais de mim contra mim próprio do que propriamente contra alguém, esse alguém que se dilui no espaço e no tempo, os meus inimigos, imaginários ou não, ou apenas aqueles que simplesmente, não podem ou não querem compreender ou ceder. Eu vejo como vejo e isso faz quem sou, apesar desta busca incessante por uma identidade que seja uma máscara para poder viver mais uns tempos. Sim, sou eu que pareço certo e estou mais errado do que qualquer homem que está à face desta terra. Vou cair por terra, sei-o, vou desfalecer e não poder lutar. Sou homem, e a energia falta. A fogueira da incompreensão quer consumir-me. (serás capaz de me dar a mão?). Vão atribuir-me motivos para o que se passa, mas decerto todos vão errar. E vou viver. Quer viva anos ou meses, ou dias ou horas, ou minutos ou apenas segundos e segundos que parecem não ter fim. O fim está traçado, tudo é em vão quando não há elo de ligação, sintonia. Só me restará o sofrimento? A lamechice de mim para mim próprio? Chamem-lhe pessimismo, trauma ou o que quiserem, depois de morrer, já não me interessará, mas agora o que se diz afecta-me tão rapidamente como se eu fosse um boneco nas mãos de uma criança, incerto como uma pena ao sabor do vento. Digam o que disserem nada me vai mudar, pelo menos para já, porque, mais uma vez, a esperança é a última a morrer… dizem.
                Impeçam o impossível. Impeçam a dor e a morte se forem capazes. Impeçam-me se forem capazes desta tristeza, ainda por cima gozada, e carregada com adjectivos de destruição, aqueles que atiram pedras a quem já está moribundo, ou então regozijai-vos por teres feito quase nada, em nome de vós.
 
 
  << O poeta é um fingidor. E finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente. >>         Fernando Pessoa

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