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Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

Ironia

                  O meu estado de vida é passageiro, assim como o será o de qualquer pessoa, qualquer ser. Somos passageiros nesta vida, em que, na maioria das vezes, tudo foge ao nosso controlo. Tenho passado a maior parte do tempo da minha vida aprendendo, observando, como se fosse num carro de condução automática, olhando a paisagem, sentindo tudo o que chega aos meus sentidos, e, raramente, tenho parado para me mover pedestremente, para construir obra. Sinto que me perco na imensidão do que vejo e do que sinto, de tal modo que quero dizer coisas óbvias, quero expressar algo diretamente e o que consigo fazer é divagar. Os meus pensamentos abrangem a vida que vivi, o modo como senti, como se sempre fosse um ser fechado, em que cresce compreendendo (ou tentado) o modo como o meu interior evoluiu e evolui. A verdade que tanto procuro, a explicação final de tanto que busco ou buscava, cada vez se torna mais fugidia e complexa, na verdade tudo é o que parece e nada é o que parece. Aqui se englobam a ironia da situação e a ironia infinita. Direi popularmente que existe muita ironia do destino.

            O desejo de atingir objetivos, que se revelam estar muito mais longe do que aparentemente pareciam estar, é uma constante na minha vida, como, imagino, o seja a de tantas outras pessoas. Por vezes guiei esses objetivos com base na ideia de que ‘se aquela pessoa é capaz eu também o vou ser’. Sei agora que todos somos diferentes, logo por ‘aquele’ estar apto a atingir determinado objetivo e singrar até ele com obstáculos que ele pode e/ou consegue transpor não quer dizer que eu possa fazer o mesmo. Sei que podes, à partida, estar a pensar, acerca de mim, que estou a ser, talvez, pessimista, ou então, que estou a desvalorizar as minhas capacidades, ao eu pensar assim. Digo-te que não estou. Talvez eu tenha outras capacidades de ultrapassar outro tipo de obstáculos, é certo, mas não somos todos iguais, ironicamente, somo tão parecidos e ao mesmo tempo somos tão diferentes e com capacidades diferentes de lidar com as situações, mais aptos numas do que em outras, se elas acontecerem. Uma de entre outras descobertas que fiz na minha vida foi a de que a vida, pelo menos para mim, é imensamente irónica. Digo isto porque incomensuráveis vezes a vida dá dicas, digamos assim, de que tudo está a correr bem e de repente tudo corre mal, ou então, pelo contrário, tudo está a correr mal, há dicas e sinais de que tudo está dificilíssimo e de repente, a partir de certo ponto, percebemos que tudo vai correr bem. É como se a vida nos dissesse, por vezes, ‘vai, agora vai correr bem, tens tudo o que é preciso para isso, olha, eu [a vida] to demonstro’, mas ironicamente, tudo acaba por correr mal, e sinto que ela me enganou completamente. Por vezes acontece o oposto, diz-nos ‘não tens hipótese, desiste, nunca irás conseguir porque és um incapaz’, quando ironicamente nos quer dizer o oposto e tudo de bom acontece numa bonança inesperada. É como se a vida jogasse connosco a seu bel-prazer, fosse irónica connosco, comigo. É como que, há muitas situações, por mais que eu queira fazer isto ou aquilo, tudo acontece pelo contrário, noutras situações em que tudo parece impossível, ele se torna possível ironicamente, para bem ou para mal.

            Penso ‘por vezes eu sou irónico na escrita que faço, na maneira que sinto e na maneira como me expresso’. A ironia está presente na minha ação [maneira de agir]. É verdade que estou mal muita vez, mas exagero muitas dessas vezes a maneira como me sinto, em que até estou bem mas querendo chamar a atenção, assim como muitas vezes suavizo aquilo que sinto quando, na verdade, estou num desespero e/ou numa agonia psicológica imensa. Dizer o contrário do que se sente é uma ironia. De uma maneira geral, sei que transmito ironia na minha vida social, confundo as mentes que me observam e que estão habituadas a padrões previsíveis, mas com isso, que faço sem o querer, sai-o sobrecarregado e/ou magoado muitas vezes, talvez pelo mal-entendido gerado. Neste blog tenho um título que foi uma ironia propositada: http://johnybigodes.blogs.sapo.pt/45554.html – ‘Agradecimento a aqueles que me ajudam a morrer’ – é óbvio que eu não agradeço a aqueles que me ajudam a morrer, eu os detesto e lhes desejo o pior dos males, eu os abomino, esta é uma grande ironia escrita aqui, neste blog. A ironia acaba aqui.

A busca da existência do amor

Toda a gente precisa de amor, ouve-se dizer na música, na poesia, na arte e em toda a expressão humana, de uma maneira geral. E há gente que efectivamente o encontrou, muito possivelmente. Mas há quem o não tenha encontrado, e quem, não tendo-o encontrado, o busca empenhadamente, sacrificando a sua própria vida buscando o significado e o sentimento de tal conceito, que pode ser um estado de espírito de efectiva união com um ser ou vários seres. É o amor eterno (?) - existindo esse conceito – [ou o amor é prolongável no tempo (?)], ou é perene (sendo um clímax ou o auge de todo um caminho ou conjunto de acções que nos levam a tal auge ou clímax)? É uma ligação concreta entre seres (?), ou tudo não passa do plano espiritual (?), ou ainda, será uma mistura desses dois tipos de elos de ligação? Decerto o amor existe e não pode ser comparado a um contrato, mas subjacente a ele pode acontecer que pode haver um contrato que se torna em vínculo, em amor. Haverá amor por quem nos trata mal, física ou psicologicamente ou só fará sentido essa existência, ou seja, só existe amor quando essa relação entre seres é repleta de sentimentos de amizade e desejo pelo outro, pela proximidade do outro? A vida é estranha para muita gente, decerto, e para mim, sempre o foi e penso que será por mais que venha a compreender muita coisa. Penso no amor como penso na existência de um Deus, a nível transcendental, e o sentimento de uma existência de amor parece-me equivalente a uma existência divina, isto é, se existe aquilo a que se chama amor também existirá aquilo a que se chama deus. Assim, se penso em Deus, eu penso no Amor, ou vice-versa, a um nível espiritual. Se penso em amor também penso no contacto humano, no toque, a um nível físico. Confesso que, pessoalmente eu estou do lado de lá da esfera, desse sistema em que existem outras regras de interacção humana diferentes das minhas, dentro de um espaço mental e de uma perspectiva (onde me encontro) que é o meu, que me parece ser exterior a esse espaço que observo, onde está um conglomerado humano normal, ou seja, é como se as pessoas estivessem na terra e eu da lua a observá-los, e sendo eu também uma pessoa, estivesse longe daquilo e daqueles que também eu sou, e, estando só, observando, tendo como minha companhia o eterno nirvana, ou seja o sentimento de solidão que é o ‘custo’ que me parece que temos quando nos ultrapassamos a nós próprios, à nossa própria limitação humana.

Existirá o amor concerteza, nem que seja como um estado passageiro [ou estados passageiros (porque tudo neste Universo é imparável e passageiro, tudo dura o seu tempo)] físico ou mental ou psíquico ou uma mistura de todos eles. Mas a mim intriga-me a sua existência, e, como conceito puro, e purificado que foi pela minha mente, da maneira que eu o vejo, custa-me a aceitar de maneira como a ordem está e como o amor funciona, porque eu não sou funcionável nessa ordem de acontecimentos. Quem me manda ou mandou a mim complicar as coisas que deviam ser simples, naturais e descomplicadas? Quem me manda ou mandou a mim pôr a natureza dos seres (humanos, em particular) em causa, a maneira como as coisas funcionam? Tenho medo de ser insignificante e desprezível, mas também tenho medo de possuir um poder que não posso controlar e que se vira contra mim próprio. Ou então tudo não passa de uma ilusão, a ilusão máxima de que o sofrimento parece existir, quando na verdade não existe. A minha ilusão, numa imaginação sem fim, imaginação que não é mensurável, a existência de um inconsciente no meu consciente, que eu não domino, a existência de um infra-ego poderoso que está acima do meu ego, quando eu deveria ter o ego a ser comandado naturalmente por esse infra-ego, domina-me e escreve a minha história.

Uma contingência de coisas: factos; acontecimentos (reais ou imaginários); inúmeras causas que antecedem o meu nascimento e que por sua vez provêm já desde sempre dos meus antepassados; o meu ideal, que não percebo como surgiu, mas consigo, até certo ponto, acompanhar a sua evolução até aquilo que eu sou hoje; o facto de tudo na minha vida ser paradoxal, começando, repito, pelo meu nascimento, e todo o impacto que isso teve na vida da minha família e de tudo o que me rodeia, a começar pelo que é mais próximo, até aos dias de hoje, até onde acabei por alcançar, e que resulta num feedback (negativo) que eu não compreendo o porquê de ele ser assim e o porquê de eu ter tomado o rumo que tomei; a influência de algo que tem a ver com a continuidade da minha vida pós-nascimento e que me marcou e não me deixou mudar marcando profundamente o meu carácter e, quiçá, marcando o resto dos meus dias; a maneira como eu estou preso a um controlo mental e físico que eu não consigo quebrar tão facilmente (mas que, tenho esperança, ainda consiga quebrar, pelo menos, enormemente) - Tudo isso me impede de dar o próximo passo na minha vida, o próximo passo de gigante que deveria ser um pequeno passo e natural. Mas inquieta-me esta minha inquietação constante, desde que sou gente, de a minha vida seguir um caminho que não é o que eu desejo para mim, de nunca estar satisfeito com o que tenho e querer coisas simples e serem tão complicadas de alcançar. Porque tenho eu de ser correcto quando tudo à minha volta é incorrecto? Porque sou eu um estranho entre estranhos? Que tenho eu a perder com as minhas acções? Porque hei-de de ter medo de dar um passo? Certamente há um motivo para todas essas questões de retraimento, penso. Motivo ao qual tenho respondido e vou respondendo à medida que caminho, para mim mesmo, e que não fazem sentido para mais ninguém. Tento pôr ordem na minha mente. Eu pergunto, mas o mundo e a natureza poucas vezes me responde como quero, aliás dá-me respostas ambíguas (passíveis de serem positivas ou negativas, não ditas explicitamente como positivas ou negativas) e retractivas.

Tudo me parece uma treta. Mas eu deveria deixar o mundo girar, muito simplesmente, essa é que é a verdade. Não podemos matar quem nos faz mal, mas viver em retracção e sofrimento e limitamento da vida por causa de alguém é terrível. Viver assim sem capacidade de reacção é viver uma vida de letargia. Abomino tal figura que me despreza, assim como outras que imitem tal figura. O meu desprezo é grande por essa gente, e se eu tivesse um poder, eu me riria dessa gente que age egoisticamente, sem escrúpulos como se o mundo lhes perdoasse o que fazem aos outros, e mesmo mostrando-lhe o que estão fazendo não querem acreditar ou saber e seguem pisando o mesmo trilho. Cada um é dono da sua vida, se bem que pode não o ser do seu destino, porque ‘o futuro a Deus pertence’, a natureza age de maneira superior, sempre, pelo menos até aos dias de hoje, pelo menos a meu ver. Eu sei pouco, muito pouco - muitos dirão o mesmo, se quiserem e se tiverem coragem para isso -, mas eu digo que se sei pouco e além disso ainda posso menos. Mas sei que se vão ficar a rir, os meus inimigos, e por isso desejava não conhecer ninguém, mas, ao mesmo tempo não sou nada sem um elo de ligação ou sem elos de ligação. E a busca é incessante e desgastante, porque as nossas forças são perenes e a recuperação é cada vez mais lenta. Vivemos, acho, pelo menos eu vivo, num mundo intenso interiormente, num mundo em que só a confiança em nós próprios não é suficiente para viver, é necessário confiar em alguém mais, tarefa essa que parece quase impossível. Será que o amor está aí onde a confiança noutra pessoa é caso de excepção? Num ideal muito limitado e que não sabemos se o encontraremos?

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