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Mais um alegre blog...?!

Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

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Enfeitado , disfarçando; traduzindo: as horas, o tempo que passa, inexorávelmente, e sentindo os sentidos da minha vida e de tudo e todos os que minha alma toca e abrange. Bem vindos a este meu Universo.

O valor das coisas - Fernando Pessoa

"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
                          Fernando Pessoa

ocultações

Há coisas que simplesmente se sentem e não se dizem, ou por não termos palavras para as transmitirmos ou porque simplesmente não encontram eco neste mundo para que faça sentido a sua verbalização, ou então por outro motivo qualquer. A minha mente anda desenfreada, faz já muito tempo, mas eu tenho uma conduta dentro de mim, há dentro de mim algo que me rege e me guia, algo que faz com que eu seja aquilo por que me conheço, eu, mesmo que isso não signifique muito ou o que quer que seja para alguém. Sinto-me cada vez mais aprisionado no meu mundo interior. Vejo o passado nas minhas memórias, analiso o meu presente em contraste com o que fui, na esperança de encontrar uma esperança no meu futuro, no objectivo de compreender, no objectivo de encontrar novamente momentos de felicidade. A base de dados que me acompanha é enorme e nem por isso eu me demarco no que quer que seja, no conhecimento. Sei que isso acontece porque não o demonstro, mas em última análise eu não sou capaz. Sou um ser aprisionado. Mas talvez, porque resta sempre a esperança que o contrário aconteça, eu, jamais encontrarei a paz do meu espírito. Em quem posso acreditar? Em que ombro eu posso encostar a minha cabeça azoada? Que fundamentos me farão viver, quando os músculos deixam de obedecer à vontade? Sinto-me culpado de tudo, e o pior é que é verdade, ou melhor, não deixa de ser verdade que sou culpado assim como não deixa de ser verdade que não sou. O paradoxo reina neste mundo, e mais no meu. Eu sinto-me a personificação desse paradoxo, capaz de provocar sentimentos contraditórios ao mesmo tempo nos outros, assim como eu os sinto contraditórios e ambivalentes. É esta ambivalência que me corrói e desgasta a minha alma e no geral todo o meu ser. Porquê esta atitude que me rigídifica e me paralisa, é uma pergunta que me coloco. Porque me anulo a mim próprio? Porque, por exemplo, a certos momentos parecem fazer sentido as minhas palavras e a outras horas estão destituídas do sentido que tiveram? Talvez tenha que ser assim, mas o meu espírito não é capaz de aceitar isso, como se tivesse que haver constância nas coisas, o que na verdade se revela impossível no meu entendimento. Mas, eu compreendo, ó Senhor, eu compreendo com o sentir que me foi legado. E entrei neste caminho do qual nunca mais vou largar, que até me provoca pânico. Porque não posso ter paz, na minha alma, mesmo que tudo estivesse a desabar, como outrora já tive. A paz de viver de acordo com o meu sentir e com o que sou.

Conquistador

Há terras por desbravar, há locais inalcançáveis, espaços por conquistar. Há recônditos que eu jamais irei revelar. Há paisagens por descobrir, belezas nunca observadas para usufruir.

Eu estive lá, mas nada disso irei narrar, porque tudo é como se vê. Nada descreverei, para não ser adulterado. Mas podem ficar a saber que é tudo, sempre em grande: Tem estéticas inolvidáveis; É o poder infinito do silêncio; É a tangencia de um golpe fatal do qual ressuscitamos; É um parágrafo único, de tal modo que, só para falar daquilo, se faria um texto que daria para dar a volta ao universo, um texto que se quebraria e voltaria ao essencial, ao nirvana, e no entanto, continuaria a sê-lo; É aquilo que ninguém viu e que sabe que existe, ou talvez apenas um vazio; Fica mais para lá do que o mais belo sonho, jamais sonhado; É um deleite único, como um adeus à vida, naquele último instante que toda a gente procura e nunca ninguém saberá; É uma máscara que cobre um rosto que nunca ninguém soube quem é, se algum dia o foi; É a luz que brilha no vácuo que preenche; É o ponto fulcral em que assenta o comprimento de onda que vibra, e vibrará, onde tudo tem princípio e fim; É a fluência da sintonia; é, enfim, onde bate o ponto.

E assim eu fui um aventureiro, se é que ainda o não sou, e cada vez mais. Aventurei-me em coisas concretas, para chegar às coisas incertas. Inventei ideias, tresloucadas diziam, sonhei trajectos, mas optei por seguir caminhos concretos, que aldrabões me tentaram impingir. Fui enganado, mandaram-me pelo bosque profundo na ideia de me fazer perder, e no entanto encontrei-me, e mais tarde dei-me a conhecer. Conquistei o trilho por onde passei, alcancei uma humanidade que eu desconhecia, agradeci a uma divindade que, ainda, não passa de uma utopia. Assim, aqui estou eu, feliz por voltar novamente. Aquele sítio foi de passagem. Trouxe bagagem, no entanto, fui sem nada, perdi tudo, mas cheguei, encontrei algo que me fez vir mais rico. É segredo, e nunca to direi. Mas posso te dizer que nome dei aquele sítio: é o ‘Reino de Aquém e Além’. Já agora, quem quiser ir, que vá por bem.

Há o desejo da conquista, há o desejo de ser conquistado. Há paraísos na terra, que são ensejos alados. O espírito de vitalidade invade o conquistador e o conquistado. Agarra essa preciosidade, não seja ela única, é sempre única. A quantos momentos já consideraste ‘presente’? Nenhum, tantos fugitivos, somente. Quando for assim, quando as duas linhas paralelas se encontram, não te despegues, porque agora és um, como sempre foste, só que mais forte. E então, extravasa essa alegria, de ser maravilhado, com o que vês, que é novo e intocado, essa efemeridade do tempo que te é dado. Se o perderes, triste não fiques, mas esperançado, o objectivo ainda não se esgotou. E mesmo na tristeza, esse momento inolvidável, na memória insondável, ficará, para que um dia possas dizer: ah! Poderás, a partir de ai, pintar o lugar onde estiveste, e, ornamentá-lo-ás. Ele ficará mais belo do que algum dia foi, esse momento. Eu sigo viagem, porque ninguém vai para ficar. O éden conquistado, não nos pertence, além disso, sou conquistador.

 

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